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David Yudovin é um norte-americano da Califórnia que
se tornou conhecido em diversas partes do mundo como nadador de canais.
Tem conseguido atravessar com sucesso diversos mares, em vários
continentes. É uma actividade que faz com prazer. Corre riscos, com
ponderação. As decisões, de quando deve partir ou nadar, são suas. Por
isso recusa apoios comerciais. No seu currículo contam-se as travessias
do Canal da Mancha, o Estreito de Gibraltar, o Estreito de Cook na Nova
Zelândia, o Estreito de Sunda na Indonésia, o Estreito de Tsugaru no
Japão, entre outros. Agora acrescentou a travessia da ilha da Madeira
para as ilhas Desertas, efectuada no início deste mês.

David no Faial onde fez o primeiro canal em Portugal.
Com 60 anos de idade tem um currículo invejável e as
suas maratonas marítimas são todas planeadas ao pormenor, com a ajuda da
mulher, Mary Beth, que desde há 25 anos é a sua treinadora, acompanhando-o
em todos os percursos. "É ela que sabe tudo sobre mim, que sabe o que eu
preciso para me manter em forma e para ter as condições necessárias para
uma maior concentração e melhor esforço", disse-nos o simpático nadador
que passou três semanas na nossa ilha. Além de Mary Beth, David fez-se
acompanhar nesta viagem à Madeira pelo seu piloto, o açoriano Altino
Goulart, que conheceu no Faial, em 2008, onde fez três travessias entre
as ilhas do arquipélago vizinho. "É um homem que sabe muito de mar, que
foi um óptimo auxiliar, pois nestas travessias é preciso navegador, é
preciso alguém que conheça e nos indique o melhor percurso, depois é uma
questão de concentração para cumprir o objectivo", explicou-nos o
norte-americano.
O nadador referiu-nos que a travessia entre a Madeira
e as Desertas apresentava-se como um desafio interessante, já que este
canal é muito afectado por correntes e ventos, que, por vezes, passam e
sopram de formas imprevisíveis. Disse-nos que não há um segredo especial
para o seu sucesso. É tudo resultado da disciplina e da concentração
para minimizar o 'stress', pois o nadador não deve estar preocupado com
coisas desnecessárias nos dias anteriores da travessia. Revelou-nos que
sempre foi um homem de causas. Quando jovem, a par do desporto - da
natação é óbvio - tocou guitarra e seguiu com muita ponderação o negócio
da família. Hoje está reformado, com mais tempo para o seu 'hobby' de
eleição, com uma forma física e atlética invejáveis. Pronto para novas
travessias… não obstante um grande susto que passou, quando uma vez na
Indonésia, em que sofreu um ataque cardíaco e esteve durante cerca de
uma hora com o coração parado. Todos o julgavam morto, mas a verdade é
que 'ressuscitou' e continuou a nadar como antes.
Na entrevista que nos concedeu, no Reid's Palace,
onde esteve hospedado na Madeira, fez questão em salientar que o seu
equipamento para as travessias, algumas delas de mais de 12 horas, são
os calções de banho, uma touca e uns óculos. Segue a legislação
desportiva dos EUA que não permite fatos impermeáveis, nem barbatanas.

Calção, touca e óculos é este o equipamento que
David Yudovin necessita para as suas maratonas no mar.
A concentração é a chave do seu sucesso. Mesmo
nalgumas ocasiões em que teve de nadar entre tubarões e outros animais
marinhos de maior dimensão. Até na travessia para as Desertas encontrou
duas baleias, enormes, pareciam orcas. Mas, recorda: "Esses animais
estão no seu meio, nós é que somos os intrusos, somos os seus convidados
e devemos respeitá-los. Sempre passei entre eles sem qualquer percalço."
David Yudovin é neto de russos, que emigraram para os
Estados Unidos, há muitos anos. Dedicaram-se à comercialização de
pescado na Califórnia. Um negócio
que está nas mãos da família desde há muitas décadas. David foi
administrador de três empresas internacionais ligadas ao sector, com os
irmãos e os sobrinhos. Como não tem filhos, o seu ramo de sucessão dará
lugar aos sobrinhos.
Em 2008 David Yudovin realizou as primeiras
travessias de canais marítimos em Portugal. As três entre ilhas do
arquipélago dos Açores. Primeiro foi Faial-Pico, em 2h20, depois Pico-São
Jorge em 7h26 e fechou com Corvo-Flores, em 7h10.
Desde há dois anos que não nadava uma travessia. Como
todas as que tem feito até agora, são preparadas com antecipação, com um
trabalho de levantamento minucioso, em que é importante o conhecimento
dos mares e das zonas em que irá nadar, os meios de acompanhamento
disponíveis e as facilidades de socorro instaladas. Todos esses
pormenores concorrem para o sucesso de cada evento, em que a boa
preparação física e emocional do atleta é o ponto fulcral.
David conta que nunca voltou para trás nas suas
travessias. E deve isso à sua preparação, ao trabalho árduo a que se
obriga todos os dias, para estar em forma e aos apoios em terra e no mar
que ele próprio coordena e dirige antes de qualquer travessia. Como não
tem intenções competitivas, não aceita patrocínios comerciais, e os
objectivos são pessoais e traçados como metas individuais. A mulher é
que trata da sua preparação física e a tudo o que possa contribuir para
um melhor desempenho do atleta, desde os treinos em ginásio até às
piscinas. Durante a estadia na Madeira, no Reid's Palace, onde
permaneceram três semanas, o casal nadava diariamente uma hora nas águas
límpidas da baía do Funchal, junto do hotel.

David e Mary fotografados no Hotel Reid's Palace.
A lista de canais que David pretende fazer ainda é
considerável. Inclui o Mediterrâneo, a Ásia e o Sul do Pacífico. E
admite que Portugal é uma hipótese forte, porque gostou bastante de cá
estar e pensa voltar. Não tem planos para qualquer canal em particular.
Quando resolveu nadar na Madeira, David Yudovin fez o
reconhecimento do percurso, trouxe o seu navegador Altino Goulart, que é
da ilha do Faial, nos Açores, um marinheiro "com muita experiência no
mar".

Numa das travessias junto do barco de apoio.
Desta primeira experiência na Madeira leva as
melhores recordações: "É uma ilha absolutamente maravilhosa, a primeira
vez que coloquei a cara na água fiquei maravilhado, não podia acreditar
neste azul transparente das águas dos seus mares", observou-nos.
Sem dúvida que irá recomendar a Madeira aos seus
amigos. Vai continuar a nadar, a divulgar a ilha que o acolheu este
Verão, pois acha que se parece muito com diversas localidades de praia
que conhece na Califórnia: sossegada, virada para o mar e muito verde.
Quanto ao futuro respondeu-nos que vai estudar alguns
locais para decidir a sua próxima travessia. Mas, certo, é de que irá
continuar sem apoios comerciais ou institucionais, porque "é muito
perigoso estar dependente de compromissos publicitários". Se aceitasse
perderia autonomia e poder de decisão. "Se eu tivesse um 'sponsor' a
decisão seria de acordo com os compromissos assumidos. Pago tudo e tenho
o controlo completo da minha actividade", explica.
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Original Article:
www.dnoticias.pt/impressa/revista/228310/228323-factos-david-yudovin-um-arrojado-nadador-de-canais-entre-tubaroes-e-b |
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